Poetas da Parede

Chegou a hora de dar voz àqueles que andam uma vida inteira à procura da sua “pedra filosofal”, voz àqueles que atingem esse estado de espírito superior, e que através da lata de spray que empunham, transcrevem arbitrariamente para as paredes da cidade os seus superiores pensamentos. Vamos acreditar que tiveram de pensar um bocado valente para escrever qualquer coisa que valesse o esforço. Eu pelo menos se escrevesse um frase na parede, teria de ser com a “alma”.

A maior parte destes pensamentos são biliosos, sinónimo de escárnio e mal dizer, mas referências ao amor (o famoso Amo-te Teresa), politica, religião, música ou simples desabafos, com os respectivos impropérios à mistura, são também temas facilmente encontrados por essas paredes fora. De cabo a rabo, a cidade está repleta destes “grafittis” e aparentemente temos em mãos, um erário público, passivel de divulgação no blogue.

As fotografias não são de grande qualidade, mas essa é uma condição que quero que conste nas publicações das mensagens desta etiqueta. A ideia é qualquer um poder participar com as fotos tiradas do seu telemóvel, enquanto passeia pela cidade ou durante o tempo de espera no sinal de trânsito, e o seu olhar soslaio, embate na parede e no pensamento lá pintado (cuidado com a policia, podem ser multados por utilizar o telemóvel enquanto conduzem). Se acharem que vale a pena registar, tiram a foto, enviam-ma que depois eu publico. Dê-me a matéria prima que eu transformo-a...
Depois, quem quiser comenta, aprecia, ou faz apenas uma introspecção do escrito.


O grito de ordem agora é “Toca a olhar para as paredes!” para publicarmos os pensamentos, tal como se fossem encíclicas… (se calhar entusiasmei-me, mas gosto desta ideia).

Estas duas primeiras fotografias foram tiradas junto a Alfama, entre o Panteão Nacional e a Feira da Ladra.

Apreciem e comentem “s’il vous plaît” ou “síl te plaît” pois aqui no blogue, não há cá o vôce….


Abraço de amizade.

(Já lá vão uns dias desde que a ideia surgiu.)

24 Junho 2009

Bom dia Barcelona

A par da viagem a Londres, a publicação da mensagem da ida do FV a Barcelona, também é feita, já alguns dias depois da sua presença na Capital da Catalunha. O primeiro conjunto de fotografias foi feito na Casa Milá



Construída entre os anos de 1905 e 1907, a Casa Milà ou La Pedrera é um edifício de características únicas e da responsabilidade do conhecido arquitecto Antoni Gaudí.


Os habitantes da cidade da altura consideravam-no feio, daí a alcunha de "pedreira", mas hoje em dia é um dos marcos da cidade.



Certamente o aspecto lunar do telhado e a ideia subjacente à fachada (dunas de areia, ou lava) terá ajudado a conceber esse pensamento.



Lá diz o poeta, primeiro estranha-se, depois entranha-se…
-Onde estão as linhas rectas?



Gaudí trabalhou quase sempre em Barcelona, ou nos seus arredores. Grande parte da sua vida foi dedicada à construção do principal símbolo da capital Catalã. O Tempo Expiatório da Sagrada Família.



Em construção há mais de um século, continua inacabada e sempre a surpreender. Cada vez que se desmonta um andaime para revelar o trabalho feito, o resultado é sempre brilhante.


Apesar de hoje em dia podermos adjectivar o trabalho com a palavra brilhante, o seu reconhecimento nem sempre foi um dado certo. Nos anos 20 a obra estava votada ao desprezo e poucos seriam os que perdoariam ao arquitecto, tamanhas excentricidades… (se ainda são vivos, agora mordem a língua) Lá diz o poeta, primeiro estranha-se, depois entranha-se…

A próxima paragem da mascote foi no Parque de Montjuïc. Aqui dispõem-se de uma das mais interessantes vistas sobre a cidade. Com cerca de 250 hectares de extensão, é um dos maiores pulmões verdes de Barcelona. A quando da Exposição Universal de 1929 e dos Jogos Olímpicos de 1992 o parque sofreu algumas alterações e novas estruturas e edifícios foram construídos.




Uma das construções erguidas para a Exposição de 1929, foi o Palácio Nacional de Barcelona que actualmente alberga o Museu Nacional de Arte da Catalunha. Muito bonito…



Holla! :-)



Para os jogos olímpicos de 1992, evento que também contribuiu significativamente para a divulgação da cidade, foi edificado “El Estadio Olímpico de Montjuïc”



Fica aqui o registo fotográfico habitual com o verdinho lá por trás…

A terminar, duas bonitas fotografias no Porto Olímpico, mesmo a sugerir um mergulho no mediterrâneo. Gosto muito desta próxima fotografia, tem muito bom enquadramento muito bom.



Muito mais havia para escrever e ver em Barcelona. É um destino muito recomendado na Europa. O “Fui, mas voltarei” é muito usual nos que a visitam e por isso não é de estranhar que um dia a mascote regresse à Catalunha. Para já é o possível!

A visita a Barcelona decorreu numa escapadela de fim-de-semana feita pelas amigas Isabel e Raquel, a quem deixo os meus agradecimentos e a as minhas sinceras desculpas pelo tardar da publicação da mensagem. Apesar da curta estadia por aquelas bandas, não deixaram de contribuir para a colecção do blogue. Obrigado pelos retratos.

Por coincidência, ou não, a publicação desta mensagem é feita numa altura onde ainda se fala e celebra mais uma conquista para a cidade. Barcelona em grande! O seu principal clube de futebol, venceu a Liga dos Campeões, justamente frente ao clube do nosso Cristiano Ronaldo (CR7).

Infelizmente não vi nenhum CR em grande, o único significado que atribuí às iniciais foi:

CR= Cólica Renal (Private Joke)

Abraço de amizade para todos.

08 Junho 2009

Pombo com coração de Passarinho

É verdadeiramente gratificante quando através do conhecimento e da ciência conseguimos ajudar as pessoas a recuperar. A visão de um doente a abandonar uma Unidade de Saúde, com um sorriso e uma mão cheia de obrigados, que distribui simpaticamente por todos os que ajudaram na sua recuperação, é um excelente tónico para nos dar força e continuar a trabalhar num ramo onde nem sempre a ciência e o conhecimento são suficientes para dar cobro aos desejos dos doentes.

Por vezes todo este processo de recuperação atravessa diferentes etapas de restabelecimento e diferentes unidades. Quando a coisa complica o último recurso é obrigatoriamente uma Unidade de Cuidados intensivos. J. Pombo, passou por lá 3 vezes durante um só internamento, e naturalmente no dia da sua alta, todos absorvemos um obrigado especial e sincero de um homem que tinha recuperado e do qual já todos conheciam o nome. É indissociável, quando as pessoas estão há mais tempo que o usual, afeiçoamo-nos um pouco mais e naturalmente decoramos o seu nome, mais ainda quando se tem “Pombo” no apelido .

Após o “milagre” que foi o Sr. J.P. sair pelo seu pé, na manhã seguinte, liguei para sua casa e informei a Sr.ª que me atendeu ao telefone que estariam já disponíveis mais alguns resultados de exames para serem levantados.

Como um mundo que nos cai em cima, como uma murraça que nos não na boca do estômago ou um chapadão que nós dão, sem sabermos de onde veio, a frase vinda do outro lado da linha assim suou…

Felizmente a senhora falou e desligou. Ainda hoje ando a pensar o que deveria dizer caso a Sr.ª não tivesse desligado de imediato. Depois de ouvir o que ouvi, fiquei sem palavras e engoli em seco…

-AGORA JÁ NÃO SÃO PRECISOS, O SR.JP JÁ MORREU! (fim da chamada)

Obs. Falei com cientistas sobre o assunto, disseram que o Sr. Pombo tinha sido “tramado” pelo seu coração de passarinho.

26 Maio 2009

Chave de Fendas

Corria o mês de Abril, e o Sr. A.R. estava internado no nosso Serviço. Enquanto isto, eu estava em casa a recuperar de um quisto dermóide (esta parte não é ficção).

Coisa estranha para se ter, se não sabem o que é, não queiram saber.

Após a alta do Sr. JR, ficou agendado um próximo internamento para realizar uma colonoscopia.

Coisa estranha para se fazer, se não sabem o que é, não queiram saber.

Foi precisamente no acolhimento ao segundo internamento, já comigo de volta à Unidade Hospitalar, que a história acontece. Além do saco com exames que trazia debaixo do braço, o Sr. A.R trazia consigo uma valente chave de fendas vermelha.

“Parece que havia para ai uma cadeira com os parafusos fora do lugar… e como a Sr.ª Enfermeira não tinha nenhuma ferramenta para os pôr na ordem… resolvi trazer-lhe esta chave. Assim já não há desculpa para a cadeira ficar desengonçada, chaves de fendas é o que não falta lá em casa, fique com ela”, rematou.

Tivesse o Sr. Reis tanta saúde como chaves de fendas e o seu caso estaria resolvido.